O aumento do JCP em 2026 é uma má notícia e tem gerado muitas discussões entre investidores da bolsa brasileira. Afinal, infelizmente o governo deve aprovar a elevação da alíquota de Imposto de Renda retido na fonte sobre os Juros sobre Capital Próprio (JCP) de 15% para 17,5%, e isso mexe diretamente com o bolso de quem investe em ações de empresas que utilizam esse mecanismo de remuneração. (Leia mais sobre este Projeto de Lei Complementar (PLP) 128/25 no site da Suno).
Mas será que esse aumento significa o fim da atratividade da bolsa? A resposta é: ainda não. Neste artigo, vamos explicar em detalhes por que o aumento do JCP em 2026 não será o fim do mundo para os investidores, quais setores serão mais impactados, e quais estratégias as empresas podem adotar para compensar essa mudança.
O que é JCP e por que o aumento do JCP em 2026 preocupa investidores
O Juros sobre Capital Próprio (JCP) é uma forma de remuneração aos acionistas criada para incentivar o investimento em empresas brasileiras. Diferente dos dividendos, o JCP é dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL da empresa, funcionando como uma despesa financeira.
Isso significa que, ao pagar JCP, a empresa reduz um pouco sua carga tributária. Para o acionista, o valor recebido sofre IR retido na fonte, que até 2025 era de 15% e, a partir de 2026, deve passar a ser de 17,5%.
Impacto direto do aumento do JCP em 2026 no bolso do investidor
Vamos a um exemplo simples:
- Um acionista recebe R$ 1.000,00 em JCP.
- Antes (15% IR): líquido de R$ 850,00.
- Depois (17,5% IR): líquido de R$ 825,00.
- Diferença: perda de R$ 25,00, ou -2,94% no rendimento líquido.
Ou seja, o impacto é real, mas não é tão grande.
Quais setores serão mais afetados pelo aumento do JCP em 2026
O aumento do JCP em 2026 impacta mais fortemente empresas que usam esse mecanismo como principal forma de remuneração. Entre elas:
- Bancos (BBAS3, ITSA4, ABCB4, etc.): grandes pagadores de JCP.
- Seguradoras (BBSE3, CXSE3, etc.): também dependem bastante do JCP.
- Elétricas (CMIG4, TAEE4, ISAE4, etc.): distribuem JCP regularmente.
Já empresas da indústria como Vale (VALE3) e Unipar (UNIP6), que distribuem mais dividendos do que JCP, sentirão impacto menor.
Dividendos vs JCP
É importante entender a diferença:
- JCP: dedutível para a empresa, mas tributado para o acionista.
- Dividendos: não dedutíveis para a empresa, mas isentos para o acionista.
Com o aumento do JCP em 2026, muitas empresas podem migrar parte da remuneração para dividendos, tornando o retorno líquido mais atrativo para o investidor.
Estratégias das empresas para compensar
O aumento da alíquota não significa necessariamente que os investidores vão perder atratividade. As empresas têm várias alternativas:
- Migrar para dividendos: reduzir JCP e aumentar dividendos, que são isentos para o acionista.
- Aumentar o payout: distribuir uma fatia maior do lucro líquido.
- Recompras de ações: reduzir o número de ações em circulação, aumentando o lucro por ação e o JCP/dividendos por ação.
- Bonificação em ações: distribuir novas ações para engajar investidores, aumentando liquidez.
- Combinação de recompras e bonificações: estratégia que pode aumentar a percepção de valor e compensar parte da perda líquida.
- Eficiência operacional: gerar mais lucro líquido para ampliar a base de distribuição.
Simulação de Dividend Yield líquido
Veja como o aumento do JCP em 2026 afeta diferentes níveis de Dividend Yield bruto:
| DY Bruto | DY Líquido (15%) | DY Líquido (17,5%) | Diferença (%) |
|---|---|---|---|
| 12% | 10,20% | 9,90% | -2,94% |
| 10% | 8,50% | 8,25% | -2,94% |
| 8% | 6,80% | 6,60% | -2,94% |
| 7% | 5,95% | 5,77% | -2,94% |
| 6% | 5,10% | 4,95% | -2,94% |
| 4% | 3,40% | 3,30% | -2,94% |
O impacto percentual é sempre o mesmo, mas em termos absolutos, empresas com DY mais alto sentem mais.
Bonificação em ações: ajuda ou não?
A bonificação aumenta o número de ações que o investidor possui, mas dilui o valor por ação, já que o lucro da empresa será dividido por mais ações. O efeito líquido tende a ser neutro, a menos que a empresa aumente o total de JCP distribuído.
Exemplo:
- Antes: 1.000 ações, JCP de R$ 1,00 por ação → R$ 1.000,00 bruto.
- Depois da bonificação de 50%: 1.500 ações, JCP de R$ 0,67 por ação → R$ 1.005,00 bruto.
Ou seja, quase igual.
Recompras + Bonificação: uma combinação poderosa
Se a empresa combinar bonificação em ações com recompras, pode gerar um efeito positivo:
- Bonificação engaja investidores e aumenta liquidez.
- Recompra reduz ações em circulação, aumentando o lucro por ação e o valor distribuído por ação.
Essa combinação pode compensar parte da perda líquida causada pelo aumento do JCP em 2026.
Por que ainda não é o fim do mundo
O aumento do JCP em 2026 é mais uma medida de arrecadação do governo (parece que não tem fim), porém ela afeta mas ainda não destrói a atratividade da bolsa. Eis por quê:
- O impacto líquido não é tão grande (-2,94%).
- Empresas podem ajustar suas políticas de distribuição.
- Dividendos continuam isentos para o acionista.
- Recompras e bonificações podem reforçar o valor entregue.
- O mercado tende a se adaptar rapidamente.
Hora de ajustes nas carteiras dos investidores
Para o investidor intermediário, o aumento do JCP em 2026 pode demandar alguns ajustes nas carteiras de investimentos:
- Rotação de setores: empresas menos dependentes de JCP podem ganhar destaque.
- Valorização futura: ajustes de política de distribuição podem tornar algumas ações mais atrativas.
- Diversificação: buscar empresas que equilibram dividendos e JCP.
- Estratégia de longo prazo: entender que o impacto não é tão grande e que o mercado deve se ajustar.
Para ajudar nestes seus ajustes, não deixe também de conferir nossas dicas em nosso artigo “Diversificação em Ações: A Lição Número 1 sobre Gestão de Riscos“.
Conclusão
Como o governo não faz o seu ajuste fiscal e não reduz os seus gastos, resta então, mais uma vez, a criação e o aumento de tributos.
Mas o aumento do JCP em 2026 ainda não será o fim do mundo para os investidores na bolsa brasileira. É uma mudança que reduz o retorno líquido em cerca de 3%, mas abre espaço para empresas revisarem suas estratégias e até reforçarem a atratividade de suas ações.
Para o investidor intermediário, o segredo é entender os mecanismos, diversificar e acompanhar as políticas de distribuição das empresas. A bolsa brasileira ainda continua oferecendo boas oportunidades de renda e valorização, mesmo com este novo cenário tributário.
Disclaimer: Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional qualificado antes de tomar decisões financeiras.



